terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

MADRE TEREZA DE CALCUTÁ O MITO E A MENTIRA

O MITO E A MENTIRA DE MADRE TEREZA DE CALCUTÁ
Texto de Anne Christine Rodrigues Mendes – Recife/PE
publicado no HUMANITAS nº 15 – Outubro/2013

Para Madre Teresa de Calcutá, se todos os cristãos seguirem à risca e cumprirem o significado do sofrimento e da dor estarão a salvo no reino dos céus

“Há algo de belo em ver os pobres aceitarem sua sina e de sofrerem tal como Jesus Cristo. O mundo ganha muito com seu sofrimento”. Essa frase é polêmica. Quem a citou foi Tereza de Calcutá, considerada uma das últimas santas pela Igreja Católica de Roma. Com esse e muitos outros posicionamentos dela, a realidade atual enterra de vez o mito de altruísmo e generosidade que acompanhou o desenrolar da vida dessa mulher.

Tudo foi construído e falsificado pelos cardeais da Igreja no que tange à vida e aos escritos publicados no nome de madre Tereza de Calcutá. Como sempre a força do poder religioso cria e recria imagens e ditos falsos. Fato que vem desde priscas eras, quando a lenda de um crucificado foi criada e divulgada para o mundo. Tal como deve ter ocorrido com tantos outros ditos santos e mártires, a beatificação de Tereza de Calcutá foi orquestrada por uma eficiente campanha de assessoria de imprensa.

O Vaticano durante o processo de beatificação de Madre Teresa jamais levou em consideração, como bem salientou o professor Serge Larivée, estudioso de sua vida, “o jeito dela um tanto quanto duvidoso de cuidar dos doentes, seus contatos políticos questionáveis, a administração suspeita das enormes quantias de dinheiro que recebeu e suas visões excessivamente dogmáticas em relação a, particularmente, o aborto, a contracepção e o divórcio.”

“Enquanto procurávamos documentos sobre o fenômeno do altruísmo para um seminário de ética, um de nós deparou-se com a vida e o trabalho da mulher mais celebrada da Igreja Católica, hoje parte da nossa imaginação coletiva – Madre Teresa – cujo nome real era Agnes Gonxha”, diz o professor Larivée, que liderou a pesquisa. “A descrição atiçou nossa curiosidade e nos levou a pesquisar mais a fundo.”

O estudo do pesquisador e de seus companheiros derruba o mito de Madre Teresa. Ele observou que na época de sua morte, Madre Teresa já tinha aberto e inaugurado 517 missões que acolhiam pobres e doentes em mais de 100 países. Essas missões foram descritas como “casas para os mortos” por médicos que visitaram diversos desses estabelecimentos em Calcutá. De acordo com o professor Larivée, dois terços das pessoas que iam a essas missões tinham esperança de encontrar um médico para tratá-las, enquanto um terço agonizava sem receber o cuidado apropriado. Os médicos encontraram uma significativa falta de higiene, condições impróprias, falta de cuidado de fato, comida inadequada e ausência de analgésicos.

Porém, falta de assistência financeira não existia. A Fundação criada por Madre Teresa arrecadou milhões de dólares, mas tinha como lema peculiar a forma de tratar os doentes como se o sofrimento e a morte fossem algo de santo, seguindo à risca a pregação bíblica do pretenso filho de seu deus. Para ela, se todos os cristãos seguirem à risca e cumprirem o significado do sofrimento e da dor estarão a salvo no reino dos céus, pois como ela bem salientou em entrevista ao jornalista Christopher Hitchens: “Há algo de belo em ver os pobres aceitarem sua sina”. Só que ela não seguiu a sina dos pobres quando adoeceu, pois solicitou cuidados paliativos e recebeu esses cuidados em um moderno hospital norte-americano.

Madre Teresa de Calcutá, realmente, foi uma mulher extremamente generosa com seus seguidores. Mas não foi generosa com os milhões de pobres e famintos que a procuravam, buscando acabar com seus sofrimentos na terra. Nunca ela ofereceu a esses milhões ajuda financeira direta ou indireta. Porém, jamais deixou de ofertar orações e medalhinhas da chamada Virgem Maria, aos flagelados das numerosas enchentes ocorridas na Índia, quando morreram milhares de seres humanos.

De acordo também com o professor Larivée, milhões de dólares foram transferidos para as suas mais diversas contas bancárias da OMS, mas a maioria das contas era mantida em segredo. Ele indaga: “Dada a administração parcimoniosa dos trabalhos de Madre Teresa, é de se perguntar para onde foram os milhões de dólares enviados para os pobres.”

Pergunto: como Madre Teresa de Calcutá conseguiu construir uma imagem de santidade e infinita bondade? De acordo com os pesquisadores, foi crucial o encontro que ela teve em 1968 com o jornalista antiaborto da BBC, Malcom Muggeridge, que compartilhava com seus valores de direita católica. Esse jornalista decidiu promover Madre Teresa e ela imediatamente descobriu o poder da mídia.

Madre Teresa viajou pelo mundo todo e recebeu diversos prêmios, incluindo o Nobel da Paz. No seu discurso de aceitação do prêmio, ela recitou sobre as mulheres da Bósnia que haviam sido estupradas pelos sérvios e que solicitavam o aborto. Disse: “O maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança – um assassinato direto da criança inocente - assassinato pela própria mãe”.

Após a sua morte, o Vaticano decidiu beatificá-la. O milagre atribuído a ela foi a cura de uma mulher, Monica Besra, que vinha sofrendo de intensa dor abdominal. A mulher testemunhou ter sido curada depois que uma medalha abençoada por Madre Teresa foi posta em seu abdômen. No entanto, seus médicos negaram isso. Eles salientaram que o cisto no ovário e a tuberculose que essa mulher vinha sofrendo foram curados pelos medicamentos que eles haviam dado. O Vaticano passou por cima da palavra da ciência e concluiu que tinha ocorrido um milagre.

Realmente, a Igreja Católica continua seguindo os trâmites usuais que a norteiam, onde imperam a mentira e a hipocrisia, pois a popularidade de Madre Teresa era tamanha que ela tornou-se intocável para a população, que a declarou santa. O que pode ser melhor do que a beatificação seguida de canonização deste modelo para revitalizar a Igreja e inspirar os fiéis, especialmente em uma época em que as igrejas estão vazias e a santa autoridade romana em declínio?

Veja mais em: http://phys.org/news/2013-03-dispell-myth-altruism-generosity-mother.html#jCp

Eu sou quem você pensa quem sou

por Beth Stojkovic

Eu sou quem você pensa quem sou...

Eu sou quem quer que você pense que eu sou, porque isso depende de você. Se você olhar para mim num vazio total, eu serei de uma maneira.

Se olhar para mim com ideias na mente, essas ideias vão me colorir. Se se aproximar de mim com preconceito, então serei de outra maneira. Eu sou apenas um espelho. A sua face será refletida nele. Assim, depende da maneira como me olha.

Agora você tem completa liberdade. Se quiser realmente saber quem sou, você precisa estar tão absolutamente vazio quanto eu. Desse modo, dois espelhos estarão um diante do outro e só o vazio será refletido.

Um vazio infinito será refletido: dois espelhos se olhando. Mas se existir em você alguma ideia, então você verá sua própria ideia em mim."

Osho