domingo, 28 de dezembro de 2008

Antonio Conselheiro morto em Canudos Bahia



Conselheiro nasceu em Quixeramobim em 1828. Ficou órfão de mãe aos seis anos de idade.
Seu nome era Antônio Vicente Mendes Maciel, e depois da morte da mãe com o segundo casamento do pai, Antônio passou a ser criado pela madrasta, que o maltratava, e o mais tarde , passou a persegui-lo por sua insanidade.
Muito cedo sua inteligência o destacava das crianças e o deixava mais próximo dos adultos, Conselheiro aprendeu a Aritmética, Francês, latim e Geografia com o mestre Manoel Antônio que se surpreendia com as idéias do jovem aprendiz.
Antônio vivia em meio a disputas de terras familiares, e nesse meio , viu o próprio avô ser assassinado, levando consigo a idéia de família desestruturado desde muito cedo.
Em 1855 o pai de Conselheiro faleceu, fazendo com que crescesse em Antônio o desejo de não mais viver naquele lugar, pagou as dívidas que o falecido pai deixou , e passou a manter as três irmãs e a madrasta.
Antônio casou-se com Brasilina Laurentina e teve dois filhos, mas ao ser traído por Brasilina, abandonou seus descendentes e desses em uma época em que poucos se preocupavam em registrar descendência ainda mais de um revolucionário, nunca mais se teve notícias.
Depois Antônio casou-se com uma escultora e começou a montar um comércio e também trabalhava como professor e no fórum, defendia os que menos tinham, e assim foi vivendo Conselheiro, homem inteligente e um guerreiro dos que fome sentiam.
Foi nessa época que começou a povoar na mente de João a idéia que poderia criar um oásis em meio a um deserto, e abandonou Joana e sua terra, em busca do lugar ideal para criar este lugar, e assim partiu Conselheiro para Itabaiana, e na seqüência para a terra baiana.
Antônio Conselheiro, pregava a vida pós morte e igualdade que Deus buscava entre o povo,passando por cima do poder do Clero, que sempre dava mais ouvidos aos apelos dos homens ricos que faziam fartas doações a igreja e deixando de lado os pedidas do povo menos favorecido.
Conseguiu além de pessoas humildes, homens sérios da sociedade que apoiavam sua luta.
Começou Antônio então a pregar nas praças, como um beato insano era visto e começou a incomodar até mesmo as missas que corriam no mesmo horário em que Antônio pregava nas praças.Até este momento  Antônio era conhecido como Antônio do povo, e ainda não tinha adquirido o apelido de conselheiro.
Então começou a incomodar o poder, Antônio pregava para grandes massas, e suas idéias acabavam sendo difundidas, e repercutindo uma revolta interna do povo  contra a tirania dos coronéis,e esses, começaram a criar a história que Antônio não era um homem de bem e sim um foragido da justiça que havia assassinado a própria mãe.
Começou então a correr a história que além de louco, Antônio era agressivo e matricida, e a história que corria era que a mãe de Antônio não se dava com a Nora, e disse a Antônio que toda vez que o mesmo viajava ela o traía, pedindo a Antônio para fingir que iria viajar, e esperar próxima a sua casa que na mesma noite ele veria o outro homem entrar, e se hoje em dia, os nordestinos lavam com sangue sua honra, imagine naquele tempo, e eis que pela história contada no povoado, ele fez o que a mãe pediu, se escondeu em uma moita e quando viu o homem entrar, largou tiro em cima do mesmo, mas eis que era sua mãe, que vestiu-se de homem para aumentar a veracidade da mentira criada.
Mas na verdade, nada disso era verdade, pois Antônio havia ficado órfão aos seis anos de idade, começou então a peregrinação de Antônio para provar sua inocência, e o boato, recheado de mentiras e maldades ia crescendo em meio ao povoado, e Antônio foi preso e conduzido até Salvador e no caminho foi espancado, e humilhado e ali Antônio sofre todo tipo de tormento neste via- crucis sangrento.
Depois foi enviado ao Ceará, para ser investigado, para descobrirem sua origem , e saber se era verdade a história da orfandade.
Ali em Quixeramobim , nas terras de sua gente,com tudo esclarecido, maltratado e maltrapilho, só lhe restou o manto surrado e a imagem de Jesus crucificado, em quem  aumentara ainda mais sua fé depois de tantas acusações sem fundamento, foi ali Antônio liberto e considerado inocente.
Voltou então a Bahia, a pé, e conquistando seguidores pelo caminho, seus ouvintes eram os pobres rejeitados, humildes, famintos, renegados, desertores,e toda a classe sofrida em geral, ouviam seus ensinamentos como um bálsamo a alma, e também pediam auxílio para pequenas causas , e assim Antônio que era quase um juiz para sua gente, aconselhava-os e assim  surgiu o apelido de um dos heróis brasileiros, mais injustamente interpretado.

Sua pregação era simples, queria que todos tivessem direitos plenos, nem o rico tivesse demais, nem o pobre tivesse de menos, simplesmente buscava a igualdade social.



03 de novembro de 1897 - É lançado em Salvador um manifesto de 41 estudantes baianos protestando contra o "cruel massacre ... exercido sobre prisioneiros indefesos e manietados em Canudos e até em Queimadas". Pouco depois, também Rui Barbosa declara um elogio aos estudantes que " protestam contra a vitória que degola os vencidos".
(Artigo publicado na revista lítera 2000)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ponto de Deus no cérebro

Leonardo Boff

Uma frente avançada das ciências hoje é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência. A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de inteligência) ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.

A segunda é inteligência emocional popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard, David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE=Quociente emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.

A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos dez anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolinguistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas e nos faz sentir inseridos no Todo. Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs= Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.

Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a exeperiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva. Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.

Por esta razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de "o ponto Deus".

Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro, o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus que sempre estava lá embora não percebível conscientemente. A existência deste "ponto Deus" representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie homo. Ela constitui uma referência de sentido para nossa vida. A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões. Antes, as religiões são uma das expressões desse "ponto Deus".